Para o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, o que vai diferenciar o Brasil entre os países mineradores são as capacidades industrial e tecnológica já estabelecidas. “Nós construímos no Brasil empresas que são competitivas globalmente, que estão jogando no primeiro escalão. E isso não é apenas na vanguarda das grandes empresas de commodities, mas também dos produtos de nicho que têm cadeias menores ou transacionam volumes menores. E temos competitividade tanto em recursos humanos quanto em conhecimento científico”, diz.
Na avaliação dele, há desafios quando se trata da fronteira tecnológica em terras raras no processamento, concentração, industrialização e aplicação dessas substâncias químicas nas aplicações finais ao consumidor. Ele cita a fabricação de baterias como exemplo e completa que “temos um desafio relevante no processamento em larga escala de terras raras e outros elementos pesados. Precisamos, por exemplo, recuperar a capacidade de processamento de urânio dentro dos elementos pesados de outros elementos radioativos”.
Cesário ressalta as empresas que têm obtido sucesso em desenvolver e aplicar novas tecnologias nas operações de minerais críticos ou terras raras, como a CNMM, a Serra Verde e Borborema. “Há muitas empresas trabalhando na fronteira tecnológica. Muito mais do que a dádiva [de ter a reserva], é ter como construir um conhecimento para aproveitar esses recursos da extração até a aplicação para o cliente final”, afirma.
Minerais críticos como política de Estado
A corrida tecnológica em torno dos minerais críticos entrou na primeira escala de prioridade do atual governo, segundo Cesário. Ele diz que o presidente da República declarou a intenção de que os Estados Unidos venham negociar com o Brasil e não com a China, porque teremos a tecnologia. “Ele fez mais de uma declaração sobre isso. Há a sensibilidade de que esse papel é também do Estado. Não há no mundo empresa que faça sozinha. Sempre há arranjo entre os setores público e privado”, avalia.
Ele cita que há várias iniciativas do governo neste sentido, como o edital da Finep para minérios e transição energética, desenvolvido em conjunto com a União Europeia. Há também a formação recente de um grupo de trabalho para coordenar os investimentos em minerais críticos e estratégicos no Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), conforme reportou o Radar Mineração. “É uma boa iniciativa porque é preciso o investimento conjunto do setor privado e do setor público. Mas há também o desafio de coordenar as redes de pesquisas que, nesse momento, operam e têm capacidade, mas, para grandes desafios tecnológicos, é necessário projetos estruturadores”.
O pedido levado pelo setor recentemente ao MCTI e que deve se estender a outros agentes públicos, conclui Cesário, é para que o país faça um esforço específico para dominar a tecnologia de processamento em escala industrial de terras raras, em particular dos elementos químicos pesados.
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/ibram-avalia-que-corrida-tecnologica-e-prioridade-de-governo/












