A eficiência energética deixou de ser apenas um indicador de sustentabilidade para tornar-se um dos principais determinantes da competitividade da mineração nos próximos anos. É o que revela o estudo inédito intitulado “A Nova Equação da Mineração na América Latina: As Fronteiras Invisíveis entre Energia e Operações”, lançado pela Aggreko, uma multinacional de origem britânica que desenvolve sistemas de energia e refrigeração para indústrias.
O levantamento conclui que o futuro do setor dependerá cada vez menos da abundância de recursos minerais — como no Brasil — e cada vez mais da capacidade de transformar esse potencial geológico em operações sustentadas por infraestrutura energética confiável, eficiente e resiliente.
O diagnóstico foi elaborado com base em entrevistas feitas com 21 executivos e especialistas da mineração no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Equador e México.
Segundo a pesquisa, 66% dos entrevistados associam o futuro da mineração à adoção de modelos mais sustentáveis, baseados em energias renováveis e eficiência energética, enquanto 40% apontam barreiras operacionais e econômicas para acelerar essa transição.
Em entrevista ao Radar Mineração, Fernando Tanaka, diretor da Aggreko, afirmou que a energia passou a ocupar uma posição estratégica dentro das operações minerárias.
“A sustentabilidade continua sendo uma prioridade, é claro, mas a energia não é apenas mais um componente do negócio. Hoje, ela é decisiva. Portanto, a grande questão já não é apenas produzir energia limpa, mas garantir que ela chegue às operações com qualidade e confiabilidade”, disse.
Energia como estratégia da mina
O estudo revela que a eletrificação crescente da economia amplia a pressão sobre os sistemas elétricos nacionais justamente no momento em que a mineração é chamada a fornecer os minerais essenciais para baterias, veículos elétricos, data centers e redes de energia.
“Há muita discussão sobre eletrificação de frotas e de novos equipamentos, mas a pergunta é: como eletrificar se a infraestrutura não consegue entregar energia onde a mina está? O grande desafio, conforme o estudo, é operacionalizar essa transição”, explicou.

A pesquisa identificou que cobre, lítio, níquel, cobalto, grafite e terras raras assumiram posição estratégica na economia global. Ao mesmo tempo, compradores internacionais passaram a considerar a pegada de carbono dos produtos minerais como critério competitivo, aumentando a importância da eficiência energética ao longo de toda a cadeia produtiva.
Outro ponto destacado pelo levantamento é que não existe uma solução única para todos os empreendimentos minerais. Características geográficas, disponibilidade de infraestrutura elétrica e condições climáticas impõem desafios distintos entre regiões e exigem projetos energéticos personalizados.
“Os desafios mudam conforme a região do país. Na Amazônia há limitações de acesso e condições climáticas específicas. Em outras áreas, há maior potencial para geração solar, mas isso não resolve, por si só, a necessidade de energia confiável na mina. Não existe uma solução única; cada operação requer um modelo próprio”, afirma.
O estudo também concluiu que a infraestrutura energética passou a influenciar decisões estratégicas da mineração na América Latina, condicionando produtividade, segurança operacional e capacidade de expansão das empresas.
Acesse a íntegra do levantamento da Aggreko, em espanhol, aqui.
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/estudo-sobre-eficiencia-energetica-na-mineracao/













