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corrida por metais pode frear revolução tecnológica

redacao by redacao
09/06/2026
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corrida por metais pode frear revolução tecnológica
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A inteligência artificial é frequentemente imaginada como algo etéreo, uma força digital que vive na nuvem. No entanto, a realidade por trás dos algoritmos é profundamente física, tangível e faminta por recursos naturais. A explosão da IA está gerando uma demanda sem precedentes por infraestrutura e, no cerne dessa expansão, desponta um metal milenar: o cobre. Sem uma revolução urgente na forma como produzimos e reciclamos esse elemento, o avanço da própria revolução tecnológica pode estar em risco.

​O alerta foi um dos destaques do primeiro dia do Web Summit, um dos maiores eventos de inovação da América Latina, realizado no Rio de Janeiro. No palco 4, o iraniano Mohammad Doost Mohammadi, fundador e CEO da empresa de tecnologia de extração de metais pH7, apresentou números que conectam diretamente o mundo dos códigos ao da mineração.

​”Até 2030, projetamos que os data centers de IA exigirão 945 terawatts-hora de eletricidade globalmente. Isso é mais que o dobro do consumo atual. É o equivalente a adicionar toda a infraestrutura elétrica de um país como o Japão à rede mundial em apenas quatro anos”, disse.

​Para distribuir essa energia, o mundo precisará de cerca de 80 milhões de quilômetros de novos cabos de rede na próxima década. Isto é suficiente para duplicar toda a malha elétrica existente hoje no planeta. E o principal ingrediente desses cabos, pela sua alta condutividade, é o cobre.

​O gargalo da mineração tradicional

​A escala do desafio é matemática. A demanda anual de cobre apenas para a infraestrutura de IA e a eletrificação associada deve atingir 512 mil toneladas até 2040. Para efeito de comparação, a maior mina de cobre do mundo produz cerca de 300 mil toneladas por ano.

Mercado global já opera com déficit de 2 milhões de toneladas/ano de cobre (Foto: Unplash / Erik Seth)

​Quando olhamos para os projetos de grande porte, o cenário se complica: um único data center de 1 gigawatt pode consumir entre 150 mil e 250 mil toneladas do metal. Como já existem 100 gigawatts em projetos de data centers aprovados globalmente, a necessidade total pode chegar a 25 milhões de toneladas de cobre – o equivalente a décadas de extração atual.

​A solução mais óbvia seria simplesmente minerar mais. Contudo, o setor esbarra em um obstáculo intransponível: o tempo. Mohammadi explica que uma nova mina leva, em média, 17 anos para começar a produzir, desde as primeiras pesquisas até a obtenção de licenças ambientais e operacionais. “Não temos esse tempo. A demanda por cobre é para hoje”, alertou o executivo.

​Além da urgência cronológica, o mercado já opera no vermelho, com um déficit de 2 milhões de toneladas entre a demanda global (30 milhões de toneladas) e a produção atual (28 milhões). As projeções indicam que esse gap anual saltará para 16 milhões de toneladas na próxima década.

​Soma-se a isso a extrema centralização geopolítica do refino. Embora Chile e Peru sejam os grandes produtores do minério bruto, cerca de 80% do concentrado de cobre atravessa os oceanos para ser processado na China. Trata-se de um modelo logístico complexo e altamente vulnerável a tensões internacionais.

​A solução: mineração urbana e “gêmeos digitais”

​Para a pH7, o problema real não é a escassez do cobre no planeta, mas sim o método de processamento. Há volumes massivos de metal retidos em rochas de rejeitos de mineração de baixa concentração e, principalmente, nas gavetas dos consumidores, na forma de celulares e computadores obsoletos.

​A inovação apresentada no Web Summit propõe um modelo sustentável e descentralizado, com base em processo eletroquímico, modular e eletrificado, capaz de extrair cobre puro diretamente nos locais de mineração ou em instalações urbanas de reciclagem de lixo eletrônico. O resultado são cátodos de cobre prontos para a manufatura, produzidos perto dos centros de demanda e quebrando a dependência das frágeis cadeias globais de suprimentos.

​Em uma virada irônica, a própria inteligência artificial surge como peça-chave para viabilizar sua própria sobrevivência física. A tecnologia da startup utiliza sensores e “gêmeos digitais” para monitorar e otimizar as reações eletroquímicas em tempo real, maximizando a eficiência energética e eliminando a geração de novos resíduos.

Fica cada vez mais claro que a próxima era da tecnologia não será definida apenas por chips mais rápidos ou modelos de linguagem mais complexos, mas pela capacidade de suprir a base física que os sustenta. A corrida pela supremacia na inteligência artificial transformou-se, essencialmente, em uma corrida inteligente pelo cobre.

* Especial para o Radar Mineração 

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Fonte: https://radarmineracao.com.br/cobre-e-ia/

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