Acabamos de divulgar o Relatório de PD&I 2025 da Vale. Por trás dos números — US$ 685 milhões investidos, mais de 350 projetos ativos, 16 hubs de inovação e uma ampla rede de colaboração com universidades, institutos de pesquisa e startups — há um entendimento claro sobre o futuro do setor. A próxima vantagem competitiva da mineração não estará no volume que uma empresa é capaz de produzir, mas sim na qualidade das decisões que sustentam esse processo.
Por muito tempo, a mineração foi medida pela lógica da escala, caracterizada pela maior capacidade produtiva, maiores reservas e máxima eficiência operacional. Essa lógica continua importante, mas já não basta. E é justamente essa mudança que orienta nossa agenda de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).
A razão é estrutural. Vivemos uma combinação inédita de pressões, como a aceleração da transição energética, a necessidade de descarbonizar cadeias produtivas, a crescente complexidade regulatória, a volatilidade geopolítica e uma demanda cada vez maior por minerais críticos. O cenário produz um paradoxo. O mundo precisa de mais mineração para viabilizar seu futuro, mas exige que essa atividade seja radicalmente diferente da que conhecemos até aqui — ou seja, mais limpa, mais segura, mais eficiente e mais integrada aos territórios.
Responder a essa equação exige uma mudança de paradigma. É aí que a PD&I deixa de ser uma agenda paralela para se tornar o próprio sistema operacional da mineração.
A mineração do futuro será definida menos pela capacidade de mover grandes volumes e mais pela habilidade de operar com precisão, previsibilidade e adaptação.
Significa antecipar falhas antes que ocorram, reduzir a variabilidade em processos complexos, decidir melhor a partir de dados em tempo real, aproveitar melhor os recursos minerais e minimizar perdas ao longo da cadeia.
É nesse ponto que a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de eficiência e passa a ser um elemento estruturante do negócio. Inteligência artificial, automação, robótica, monitoramento remoto e modelagem avançada não são tendências isoladas. Juntas, essas tecnologias estão mudando a forma como a mineração planeja, executa e evolui. A mudança mais relevante talvez seja o fato de estarmos saindo de uma mineração reativa para uma mineração cada vez mais antecipatória. Essa transição eleva o padrão de segurança, melhora a performance operacional e amplia a capacidade de responder, com mais velocidade e menos desperdício, a um ambiente cada vez mais complexo.
Há, porém, um ponto importante. A inovação, sozinha, não transforma nada. O que transforma é a capacidade de industrializar essa inovação, de escalar, de integrar e de replicar. Esse é um desafio que o setor ainda está aprendendo a enfrentar, e é o que dá sentido a uma carteira de mais de 350 projetos ativos e a uma rede de 16 hubs de inovação. Não basta inventar em laboratório; é preciso levar a inovação para dentro da operação, em escala.
A próxima fronteira da competitividade está menos na expansão horizontal e mais na sofisticação vertical das operações, traduzida em mais valor por tonelada, mais previsibilidade por ativo e mais resiliência por decisão. É essa direção que o Relatório de PD&I 2025 traduz em números. E eles apontam para uma escolha clara, que é tratar a inovação não como vitrine, mas como infraestrutura do negócio.
E isso importa porque a competitividade futura do setor será definida por uma pergunta simples. Quem consegue aprender mais rápido do que a complexidade avança? Essa é a disputa real. Não se trata apenas de produzir mais minério, mas de produzir mais conhecimento a partir da operação.
E o nosso relatório destaca o caminho que estamos percorrendo, com a atuação da companhia em rede aberta de inovação.
A Vale mantém colaboração com mais de 100 instituições de ciência e tecnologia no Brasil e no exterior, mais de 360 startups conectadas e de 250 parcerias externas nos últimos 15 anos, envolvendo universidades, institutos de pesquisa, fundações de apoio e órgãos de fomento.
Em 2025, para ficar em apenas um exemplo, iniciativas de otimização da logística marítima, como o AIFleet, geraram US$ 66 milhões de saving, com destaque para economias associadas à otimização de velocidade de embarcações, redução de consumo de combustível naval e redução de demurrage.
A mineração sempre foi uma indústria de excelência em engenharia física. Agora, precisa desenvolver com a mesma maturidade suas capacidades em engenharia digital, ciência de dados e inteligência sistêmica.
No fim, a mineração continuará sendo uma indústria de ativos físicos. Mas seu diferencial será cada vez mais cognitivo. Essa mudança redefine não apenas como mineramos, mas como construiremos a Mineração do Futuro.









