Marisa Wanzeller, da Agência iNFRA*
O diretor-presidente da Taesa, Rinaldo Pecchio, disse nesta quinta-feira (3) que a relicitação das concessões de transmissão com contratos vincendos não seria o único caminho para reduzir as tarifas de energia. Segundo ele, as companhias terão uma queda na RAP (Receita Anual Permitida) independentemente do caminho a ser escolhido pelo MME (Ministério de Minas e Energia), uma vez que parte dos ativos já foram remunerados nos últimos anos. Ele afirmou que a empresa irá manifestar interesse na renovação dos contratos dentro do prazo e que segue dialogando com o governo.
“Pode se ter a interpretação de que fazer uma relicitação é melhor para o consumidor porque vai abaixar a tarifa. Isso é verdade até certo ponto. Pode ter outras formas de você fazer [isso]. A gente já vai ter uma queda na receita das companhias, independente do que vai ser o modelo”, disse o executivo à imprensa em visita à subestação de Assis, em São Paulo. “Não existe expectativa de falar que [a RAP] continua no nível que tem hoje, seja renovação ou relicitação”.
Indenização
As transmissoras também discutem junto ao governo o entendimento sobre a indenização total dos ativos com contratos assinados antes de 2019, quando a regra mudou e estabeleceu que as empresas deveriam amortizar os empreendimentos no prazo de 30 anos.
“No limite, pode acontecer uma discussão judicial sobre isso, mas a gente não quer”, defendeu. Pecchio disse estar otimista de que a União entenderá ser mais positivo realizar a indenização, mesmo que o pagamento ocorra de forma parcelada.
Aquisições
O executivo destacou que a companhia está se preparando financeiramente para o fim de alguns dos atuais contratos, que começam a expirar em 2027, mesmo que ocorra a renovação das concessões. Pecchio destacou um expressivo crescimento de receita que a Taesa teve ao longo dos últimos anos. A empresa passou de uma RAP de R$ 1,2 bilhão registrada no ciclo 2011/2012 para R$ 4,9 bilhões no ciclo 2026/2027.
O número já considera os cinco ativos que a Taesa adquiriu da Energisa em agosto deste ano. “A gente acabou de fazer uma compra que é equivalente a ganhar um leilão de R$ 2,5 bilhões”, disse o diretor-presidente.
Maurício Dall’Agnese, diretor de Negócios e Gestão de Participações, também ressaltou a importância da compra para o portfólio da empresa. “A aquisição desse conjunto de cinco concessões agregou mais receita para a Taesa do que se nós tivéssemos participado do último leilão de transmissão e tivéssemos tido êxito em todos os lotes ao mesmo tempo”. Segundo ele, a companhia agregou mais receita com o investimento, e a um custo menor, do que se tivesse participado e tido êxito em todos os lotes do certame de março deste ano.
O executivo ainda destacou que das 49 concessões atuais da companhia, 15 são oriundas de participação em leilões, e as outras 34 são frutos de negociações no mercado. “Isso demonstra que a companhia tem flexibilidade e capacidade de apoiar nesses dois ambientes, escolhendo a melhor opção a depender do momento e da qualidade da oportunidade que aparece”, afirmou.
*A repórter viajou a convite da companhia.












