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SBCE deve ser consequência da credibilidade ambiental do país

redacao by redacao
03/07/2026
in Últimas Notícias
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SBCE deve ser consequência da credibilidade ambiental do país
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O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, defendeu durante painel na B3 que o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) deve funcionar como consequência de uma estratégia climática mais ampla de desenvolvimento sustentável, e não como instrumento isolado para compensar ausência de políticas ambientais, reforçando que a redução de emissões permanece como objetivo central; representantes do governo e iniciativa privada destacaram que o mercado regulado de carbono é estratégico para acelerar a descarbonização, aumentar competitividade internacional e atrair investimentos de longo prazo, com desafios concentrados na regulamentação, consolidação de mecanismos robustos de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) e definição de regras de mercado, enquanto experiências internacionais como a do Canadá demonstram como um mercado bem estruturado fornece sinais importantes para investidores e viabiliza projetos de baixo carbono.

Resumo supervisionado por jornalista.





A implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) foi discutida na Arena B3, em São Paulo, como mecanismo estratégico da agenda climática brasileira. Durante o painel “SBCE na prática: definições de escopo, marcos de MRV e o caminho à frente”, representantes do governo federal e da iniciativa privada defenderam que o mercado regulado de carbono deve funcionar como um instrumento para acelerar a descarbonização da economia brasileira, aumentar sua competitividade internacional e atrair investimentos de longo prazo, sem perder de vista o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Embora haja consenso de que a aprovação da lei que institui o SBCE representa um marco histórico, os participantes ressaltaram que os desafios agora se concentram na regulamentação do sistema, na consolidação de mecanismos robustos de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) e na definição das regras de mercado.

Mercado de carbono como consequência da política climática

No painel que abriu o evento, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, defendeu que o mercado regulado de carbono não pode ser entendido como instrumento isolado ou resposta oportunista ao crescimento dos mercados de carbono. O ministro apresentou o SBCE como parte de uma estratégia climática mais ampla de desenvolvimento sustentável construída pelo país nos últimos anos. 

Segundo Capobianco, o Brasil vem fortalecendo mecanismos de controle ambiental, restaurando ecossistemas, promovendo agricultura de baixo carbono e estruturando políticas públicas capazes de orientar uma economia alinhada às metas climáticas de longo prazo. Nesse contexto, afirmou, o SBCE surge como consequência dessa trajetória, e não como mecanismo destinado a compensar a ausência de políticas ambientais.

“O mercado de carbono deve ser consequência da credibilidade ambiental do país e não o seu substituto”, afirmou Capobianco ao destacar que a redução das emissões e o enfrentamento à crise climática devem permanecer como objetivos centrais dos esforços.

O ministro lembrou que a regulamentação do sistema será implementada de forma gradual ao longo dos próximos anos, permitindo a estruturação da governança, dos registros e plataformas operacionais, e dos mecanismos de monitoramento e de alocação de cotas antes da entrada plena em operação do mercado. Segundo ele, o cronograma progressivo busca garantir que o sistema nasça robusto, seguro, confiável e com integridade ambiental e econômica.

Ministro Capobianco afirma que SBCE faz parte de uma estratégia climática mais ampla. Foto: Cauê Diniz

SBCE e MRV como alavancas

Outro tema do painel foi o sistema de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) – estrutura que garante a transparência e a confiabilidade no mercado de carbono-, que, para o diretor de Mudança Climática e Carbono da Vale, Rodrigo Lauria, deve ser encarado como uma ferramenta de gestão capaz de orientar decisões empresariais e acelerar a redução das emissões.

Segundo o executivo, o sistema precisa produzir informações comparáveis, consistentes e úteis para identificar oportunidades de melhoria entre setores e empresas. Contudo, sem uma visão pragmática sobre o MRV, ele se transforma em um grande banco de dados com pouca aplicação no dia a dia das empresas. Nesse sentido, Lauria defendeu o modelo como uma alavanca concreta para reduzir emissões.

Em uma visão mais ampla, olhando para o SBCE como um todo, o executivo também avaliou o mercado brasileiro de carbono como uma alavanca, mas dessa vez de competitividade. Na Vale, por exemplo, a discussão do mercado regulado já integra a decisão de alocação de capital e investimento.  

Lauria explicou que “todos os projetos têm na sua definição de alocação de capital o efeito do mercado regulado, independentemente de existir ou não uma regulação efetiva – o ‘preço sombra’”. Com esse preço interno de carbono, a empresa consegue simular os efeitos futuros de uma regulação, permitindo identificar iniciativas que poderão se tornar economicamente mais atrativas em um ambiente de precificação das emissões. 

Essa antecipação de preço para analisar oportunidades de investimentos reforça a leitura de Lauria do SBCE como “uma alavanca de competitividade e um mecanismo que tem que ser aplicado de forma pragmática”.

Experiências internacionais são referências para o mercado brasileiro

A experiência internacional também foi apresentada como referência para o desenho do mercado brasileiro. A diretora global de sustentabilidade da Dow, Claudia Schaeffer, destacou que setores industriais intensivos em capital, como a indústria química, dependem de investimentos bilionários para cada planta em um horizonte que pode ultrapassar três décadas. Nesse contexto, explicou que a descarbonização frequentemente implica custos superiores aos processos convencionais, o que torna ainda mais estratégica a existência de instrumentos capazes de garantir viabilidade econômica.

Para a executiva, um mercado regulado bem estruturado fornece sinais importantes para investidores e pode criar novas fontes de receita capazes de acelerar projetos de baixo carbono.

Como exemplo, ela citou o modelo canadense, no qual instalações com desempenho superior aos parâmetros estabelecidos podem comercializar créditos de carbono, gerando receitas adicionais. Segundo Claudia, essa lógica contribuiu para viabilizar um investimento de US$ 7,5 bilhões da companhia no Canadá, estimulado por fatores como a precificação do carbono, receita que se pode gerar com créditos e infraestrutura já estabelecida.

Dúvidas mais comuns




O SBCE é um mercado regulado de carbono que funciona como instrumento estratégico da agenda climática brasileira. Ele foi aprovado por lei e representa um marco histórico para o país, operando como mecanismo para acelerar a descarbonização da economia, aumentar a competitividade internacional e atrair investimentos de longo prazo, sempre mantendo o foco na redução de emissões de gases de efeito estufa.




Segundo o ministro João Paulo Capobianco, o mercado de carbono não deve ser um instrumento isolado ou resposta oportunista, mas sim uma consequência de políticas ambientais robustas. O Brasil vem fortalecendo mecanismos de controle ambiental, restaurando ecossistemas e promovendo agricultura de baixo carbono. O SBCE surge como resultado dessa trajetória de credibilidade ambiental, não como substituto de políticas ambientais, garantindo que a redução de emissões permaneça como objetivo central.




O MRV é a estrutura que garante transparência e confiabilidade no mercado de carbono. Funciona como ferramenta de gestão capaz de orientar decisões empresariais e acelerar a redução de emissões, produzindo informações comparáveis, consistentes e úteis para identificar oportunidades de melhoria entre setores e empresas. Sem uma visão pragmática, o MRV se transforma em um banco de dados com pouca aplicação prática.




O mercado regulado de carbono permite que as empresas utilizem um ‘preço sombra’ do carbono em suas decisões de alocação de capital e investimento. Com esse preço interno, as companhias conseguem simular os efeitos futuros de uma regulação efetiva, identificando iniciativas que se tornarão economicamente mais atrativas em um ambiente de precificação de emissões, antecipando oportunidades de investimento em projetos de baixo carbono.




A regulamentação do SBCE será implementada de forma gradual ao longo dos próximos anos, permitindo a estruturação da governança, registros, plataformas operacionais e mecanismos de monitoramento e alocação de cotas antes da entrada plena em operação do mercado. Esse cronograma progressivo busca garantir que o sistema nasça robusto, seguro, confiável e com integridade ambiental e econômica.




É possível participar do mercado de carbono através de fundos de investimento ligados à preservação ambiental, conhecidos como fundos verdes, além de Certificados de Operações Estruturadas (COEs) atrelados a contratos futuros de crédito de carbono e tokens específicos. As empresas também podem participar diretamente através do SBCE, integrando a discussão do mercado regulado em suas decisões de alocação de capital e investimento.




O modelo canadense é uma referência importante, onde instalações com desempenho superior aos parâmetros estabelecidos podem comercializar créditos de carbono, gerando receitas adicionais. Essa lógica contribuiu para viabilizar um investimento de US$ 7,5 bilhões da Dow no Canadá, estimulado por fatores como precificação do carbono, receita gerada com créditos e infraestrutura estabelecida, demonstrando como um mercado bem estruturado fornece sinais importantes para investidores.




Para setores como a indústria química, que dependem de investimentos bilionários em plantas com horizonte de três décadas, a descarbonização frequentemente implica custos superiores aos processos convencionais. Um mercado regulado bem estruturado fornece sinais importantes para investidores e cria novas fontes de receita capazes de acelerar projetos de baixo carbono, tornando economicamente viável a transição para processos mais sustentáveis.





n
Fonte: https://radarmineracao.com.br/sbce-deve-ser-consequencia-da-credibilidade-ambiental-do-pais/

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