As refinarias de cobre da América Latina devem ampliar seus focos e investimentos na recuperação de subprodutos minerais para fortalecer a diversificação das cadeias globais de suprimento de minerais críticos. A declaração foi feita por Alessio Scanziani, especialista em minerais críticos da IEA, durante o webinar de apresentação do relatório Global Critical Minerals Outlook 2026, na manhã de terça-feira (21/7).
O estudo, cujos principais resultados foram noticiados no Radar Mineração, foi apresentado pelos autores do relatório e especialistas do programa de minerais críticos da IEA, com a participação de representantes de governos, profissionais da indústria mineral e especialistas em cadeias de suprimento e transição energética.
Segundo Scanziani, que também foi um dos responsáveis pela elaboração do relatório, a região reúne potencial para ampliar a oferta de elementos estratégicos, como molibdênio e rênio, que já são obtidos como subprodutos da mineração de cobre.
Para ele, o aproveitamento desses materiais pode ocorrer com investimentos adicionais relativamente reduzidos em refinarias existentes ou em implantação.
As barreiras do refino
Apesar das oportunidades, Scanziani ressaltou que expandir a capacidade de refino fora da China continua sendo um desafio econômico. Segundo ele, investimentos em projetos de refino em outros países podem custar até três vezes mais do que empreendimentos equivalentes no mercado chinês, que também concentra parte significativa das tecnologias empregadas nesse segmento.
Ainda na avaliação do especialista, políticas públicas podem contribuir para viabilizar novos projetos. Entre os instrumentos citados estão incentivos fiscais, mecanismos de apoio governamental e programas de estocagem estratégica capazes de oferecer garantias iniciais de demanda para os empreendimentos.
Investimentos recuaram; demanda cresceu
O Global Critical Minerals Outlook 2026 apontou uma redução de 9% nos investimentos privados em minerais críticos em 2025, ao mesmo tempo em que identificou aumento dos preços de commodities estratégicas, como cobre e tungstênio, e elevada concentração geográfica da produção refinada.
A China e a Indonésia respondem por mais de 75% da oferta refinada de diversos minerais, cenário que reforça a preocupação internacional com a diversificação das cadeias globais de suprimentos.
A edição de 2026 do relatório dedicou um capítulo específico ao papel da América Latina na oferta global de minerais críticos.
Para a IEA, além da ampliação da mineração, o fortalecimento da capacidade regional de processamento e do aproveitamento de subprodutos poderá contribuir para reduzir a dependência dos atuais pólos dominantes de refino e aumentar a resiliência das cadeias de abastecimento.
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/cobre-refino-de-subprodutos-e-oportunidade-para-america-latina/











