O Piauí entrou para a lista dos estados exportadores de minério em 2023, quando a mina de ferro na cidade de Piripiri, da Lion Mining, começou a produzir. Um ano depois, as exportações geraram R$ 8 milhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), segundo o governo piauiense.
Desse valor, 60% foram repassados para Piripiri, como estabelece a legislação, e 15% para o estado. Dos 25% restantes, 15% podem ser direcionados para outros municípios afetados pela mineração local e 10% são de direito da União.
Com a operação da Lion Mining, o Piauí também se tornou o sexto maior produtor de minério de ferro do país, produzindo 2 milhões de toneladas anuais. Além do alto teor, a operação da mineradora é facilitada pela proximidade com o Porto Piauí, a 100 km da mina.
Segundo o governo estadual, as reservas de minério de ferro em Piripiri chegariam a 1 bilhão de toneladas, mas o potencial do Piauí é maior, como mostram dois outros empreendimentos.
Potencial do Piauí vai além de Piripiri
O primeiro é o da Bemisa, na cidade de Paulistana e onde há reserva estimada em 1,2 bilhão de toneladas de minério de ferro. A meta da mineradora é produzir 15 milhões de pelotas de minério de ferro com 70% de teor anualmente. O escoamento da produção deve ser feito pela ferrovia Transnordestina.
A SRN Mineração tem o segundo empreendimento em desenvolvimento e estima produzir 2 milhões de toneladas de minério por ano, a partir da mina com reservas de 637 milhões de toneladas, na cidade de São Raimundo Nonato.
Embora o potencial dos dois projetos seja reconhecido, não há informação oficial sobre a entrada em operação das minas.
Níquel e cobalto

Além das reservas de minério de ferro, o Piauí tem outros recursos minerários, conforme estudo recente do Serviço Geológico Brasileiro (SGB). O principal deles envolve mais de 30 ocorrências preliminares de minerais estratégicos na Bacia do Parnaíba. A lista inclui grafita, terras raras, manganês e zinco.
Ainda em minerais estratégicos, o Piauí sedia o projeto de produção de níquel e cobalto da Piauí Níquel Metais. A previsão é de entrada em operação ainda neste ano, gerando 27 mil toneladas de níquel e outras 1 mil toneladas de cobalto. Como a mina está na cidade de Capitão Gervásio Oliveira, o escoamento para exportação estaria garantido com o mesmo porto de exportação da Lion, com distância semelhante a 100 km.
Segundo o Investe Piauí, iniciativa de atração de investimentos para o estado, as reservas de níquel com presença de cobalto somariam 98,8 milhões de toneladas. Os teores seriam de 0,74% para níquel e 0,04% para cobalto.
O Piauí também possui reservas de potássio espalhadas em 8,2 milhões de hectares, em 33 cidades. Nessa frente, a Norte Mineração tem um projeto em fase de licenciamento, com produção prevista de 50 mil toneladas/ano, podendo escalar para 500 mil t/a. A reserva pesquisada somaria 800 milhões de toneladas.
Com jazida de 2 milhões de quilates, a DM Mineração já explora diamantes no sul do estado, com foco nos mercados de luxo e industrial. Ela estima operar com a extração de 10 mil quilates/mês. Na avaliação da Investe Piauí, o diamante da região tem características únicas, que permitem facilmente identificar sua origem, o que garante alto valor e certificação internacional ao produto.
Ainda na área de pedras preciosas, o Piauí se destaca por ser o único produtor brasileiro de opala nobre, com potencial que pode chegar a 101,2 mil toneladas em reservas. O produto seria comparável às opalas australianas, referência mundial, mas ainda pouco exploradas, com cerca de 90% das reservas descobertas ainda intocadas.
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/mineracao-no-piaui-avanca-alem-do-minerio-de-ferro/






