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Engenheira de minas, mestre e doutora em Engenharia Industrial pela Universidade Federal da Bahia, Luíza Zeneide atua há mais de uma década em processamento mineral, aproveitamento de rejeitos e sustentabilidade aplicada à mineração. Atualmente, é coordenadora técnica da especialização em Processamento Mineral Sustentável do SENAI CIMATEC.
Luiza conversou com o Radar Mineração sobre as competências mais valorizadas pelo mercado, os desafios da circularidade e o perfil dos profissionais que devem ganhar espaço no setor nos próximos anos. Veja os principais trechos da entrevista.
Nos últimos anos, sustentabilidade e inovação passaram a influenciar cada vez mais as decisões das mineradoras. Como isso mudou o perfil dos profissionais mais procurados pelo setor?
Hoje, as empresas buscam profissionais com uma visão muito mais ampla do que no passado. Não basta apenas entender de beneficiamento mineral ou produzir um concentrado com qualidade. É necessário compreender toda a cadeia produtiva, identificar oportunidades de reaproveitamento de materiais, reduzir impactos ambientais e buscar soluções inovadoras para os desafios da operação.
A circularidade ganhou espaço nas estratégias das empresas. O que está por trás desse movimento?
Ela deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a ter impacto direto na competitividade e na geração de valor. Quando um resíduo é reclassificado e recebe uma nova aplicação, ele pode se transformar em produto. Isso reduz desperdícios, gera oportunidades econômicas e contribui para que toda a cadeia mineral seja aproveitada.
Um dos principais desafios é desenvolver uma visão multidisciplinar. O profissional não pode pensar apenas dentro da sua área específica.”
Onde os profissionais enxergam essas oportunidades no dia a dia da mineração?
Muitas vezes elas estão justamente em materiais que antes eram vistos apenas como resíduos. Hoje existe um esforço crescente para identificar novos usos e ampliar o aproveitamento desses recursos.
Esse movimento também favorece pequenas e médias empresas?
Sim. As pequenas empresas vêm crescendo e, muitas vezes, as oportunidades estão justamente nos resíduos que não despertam interesse das grandes mineradoras. Um resíduo de quartzo, por exemplo, pode ser reaproveitado e destinado à indústria solar, à produção de vidros ou a outras aplicações industriais.
Os chamados empregos verdes estão cada vez mais presentes na mineração. Como essa tendência aparece no setor?

Tem uma conexão direta. O curso [especialização em Processamento Mineral Sustentável] trabalha exatamente a visão de reaproveitamento dos resíduos gerados nos processos minerais e apresenta alternativas para utilização desses materiais. Dependendo do caso, eles podem ser empregados na construção civil, na fabricação de cimento, em aplicações ligadas ao asfalto ou até na recuperação e remineralização de solos.
Qual é a deficiência de qualificação que mais preocupa hoje?
Um dos principais desafios é desenvolver uma visão multidisciplinar. O profissional não pode pensar apenas dentro da sua área específica.
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O que significa, na prática, ter essa visão multidisciplinar?
Significa combinar conhecimentos de processamento mineral, tecnologia, sustentabilidade, inovação, legislação e gestão social. É essa capacidade de integrar diferentes áreas que permitirá encontrar novas soluções para problemas complexos.
Na prática, o mercado já valoriza profissionais com essa visão mais ampla da mineração?
Existe uma procura crescente por profissionais que consigam enxergar além da etapa de produção mineral. Hoje as empresas querem profissionais capazes de avaliar o destino dos resíduos, propor melhorias de processo, utilizar novas tecnologias e atender às exigências regulatórias e da sociedade. Essa visão tem sido cada vez mais valorizada.
A transição energética deve acelerar a demanda por esse tipo de profissional?
A sociedade continuará precisando de minerais para tecnologias, equipamentos e infraestrutura ligados à transição energética. Ao mesmo tempo, será necessário utilizar diversas técnicas e metodologias para reaproveitar recursos, reduzir impactos e aproveitar melhor os minerais disponíveis.
Que conselho você daria para quem está começando uma carreira na mineração?
Eu diria para buscar uma formação ampla e contínua. A mineração do futuro precisará de profissionais que entendam de recursos minerais, mas também de meio ambiente, sustentabilidade, novas tecnologias e relacionamento com comunidades. Quem desenvolver essa visão integrada estará mais preparado para atuar em um setor cada vez mais tecnológico, sustentável e estratégico para a transição energética.
* Especial para o Radar Mineração
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/luiza-zeneide-circularidade-gera-oportunidades-profissionais/











