O BNDES pretende atuar cada vez mais fortemente no setor de minerais críticos. Porém, este apoio está condicionado a uma mineração limpa, responsável, que reduz danos ao ambiente, além de garantir a segurança dos trabalhadores e proteger as comunidades locais.
Foi o que afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, nesta quinta-feira, 2, durante o evento “Brasil Mais Verde – 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira”, realizado na sede da instituição, no Rio de Janeiro. Também estiveram presentes o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente da COP30, André Corrêa do Lago.
“No Fundo Clima, por exemplo, queremos apenas mineração responsável: taxonomia, sustentabilidade, monitoramento. No BNDES, selecionamos mais de 50 projetos relacionados a minerais críticos, com a possibilidade de chegar a R$ 50 bilhões de investimento e de crédito nesse setor. Todos estes projetos tiveram que provar suas boas práticas”, afirmou Mercadante, em resposta ao Radar Mineração, durante o evento.
Eletrificação da frota

O presidente do BNDES destacou também a oportunidade de o Brasil liderar a transição para a eletrificação de veículos em todo o mundo.
Não existe transição energética sem uma transição para a mobilidade elétrica. Com uma matriz energética 100% limpa, o Brasil encontrou a forma mais viável de propor esta transição por meio da fabricação de biocombustíveis.
Atualmente, as montadoras estão apostando em veículos híbridos, em parte elétricos, e em parte movidos a biocombustíveis. Esta é uma tecnologia que só nós conseguimos desenvolver.Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
O ministro Capobianco reforçou esta questão, lembrando que até pouco tempo acreditava-se que a eletrificação da frota seria impossível, dada a complexidade de uma troca massiva de veículos. “O Brasil construiu a solução para este impasse: os biocombustíveis, que aqui são produzidos com matriz energética limpa. Trata-se de uma solução completa para países que dependem do transporte coletivo, como ônibus, por exemplo. Os motores híbridos, movidos a biocombustível associado à eletricidade, são uma tecnologia fundamental que o Brasil pode oferecer para o mundo”, afirmou.

Muito além das exportações
Mercadante chamou a atenção também para a necessidade de o país deixar de ser apenas um exportador de minerais críticos e passar a refinar e explorar o produto localmente.
Em sua fala, o ministro Dario Durigan também apontou para esta questão. “Soberania do território não é só exportar commodities e matérias-primas e sim estimular a indústria de minerais aqui”, observou.

Durigan reforçou ainda o terceiro leilão do programa Eco Invest, que, pela primeira vez, focou em equity (participação societária) para inovação e sustentabilidade, com forte ênfase em minerais críticos. A rodada foi homologada pelo Ministério da Fazenda, viabilizando cerca de R$ 53 bilhões em investimentos privados para empresas de base tecnológica, startups e projetos de longo prazo.
“O Brasil virou, de certa forma, a bola da vez em minerais críticos, porém, se não conseguirmos atrair investimentos, as empresas podem ir para outros lugares”, alertou, por fim, José Gordon, Diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES.
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/fundo-clima-mineracao-sustentavel/











