O governo americano confirmou a aplicação da sobretaxa de 25% sobre uma parcela significativa das importações provenientes do Brasil. Em contrapartida, ele ampliou a lista de produtos isentos, preservando matérias-primas e insumos considerados relevantes para a economia dos EUA.
A decisão, publicada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), entra em vigor em 22 de julho e integra a investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana.
Segundo o órgão, parte dos produtos foi excluída da tarifa porque não pode ser produzida em quantidade suficiente nos Estados Unidos ou porque sua taxação poderia provocar desabastecimento e elevar custos para cadeias industriais americanas. Em outros casos, o USTR avaliou que a sobretaxa não contribuiria para atingir os objetivos da investigação comercial.
Matérias-primas recebem tratamento diferenciado

A lista de exceções foi ampliada em relação à divulgada no início da investigação. Além da carne bovina, café, laranja e suco de laranja, permanecem fora da sobretaxa itens como:
• minerais estratégicos, como tungstênio, urânio, tório, molibdênio, titânio, nióbio, tântalo, vanádio, prata e antimônio;
• ferroníquel;
• ferronióbio;
• metais e compostos de terras raras;
• óxido e hidróxido de lítio;
• carbonato de lítio;
• óxido de nióbio;
• hidróxido de alumínio;
• sucata de ferro e aço;
• mel orgânico;
• produtos do mar;
• couros;
• determinados produtos de madeira;
• medicamentos;
• insumos farmacêuticos.
A nova decisão do USTR reforça uma característica observada em disputas comerciais recentes: matérias-primas e insumos considerados críticos para cadeias produtivas costumam receber tratamento diferenciado quando sua restrição pode comprometer a competitividade da própria indústria americana.
Por outro lado, pedidos de exclusão apresentados para segmentos como vestuário, calçados, máquinas agrícolas e máquinas industriais foram rejeitados pelo governo dos Estados Unidos.
Comércio bilateral
Embora a ampliação das exceções reduza parte dos impactos para setores específicos, entidades empresariais avaliam que o novo pacote tarifário tende a restringir o comércio bilateral.
Na avaliação da Amcham Brasil, a medida coloca o país entre os mercados com condições mais restritivas para acesso ao mercado americano e pode afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio.
A entidade destaca que o cenário contrasta com a própria relação comercial entre os dois países: em 2025, os Estados Unidos registraram superávit de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços nas trocas com o Brasil, enquanto as tarifas brasileiras aplicadas aos produtos americanos permanecem relativamente baixas.
Ainda segundo a Amcham Brasil, a medida pode gerar efeitos para a indústria americana. A entidade avalia que a sobretaxa eleva os custos de empresas que utilizam insumos brasileiros, reduz sua competitividade e aumenta a dependência de fornecedores asiáticos.
Mercado acompanha efeitos econômicos
A expectativa em torno da oficialização das tarifas também influenciou o mercado financeiro brasileiro.
O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,36%, destoando do desempenho positivo das bolsas americanas. Analistas apontaram que a cautela em relação às novas tarifas contribuiu para aumentar a volatilidade ao longo da sessão, somando-se a fatores internos, como discussões fiscais e o vencimento de opções sobre o índice.
Apesar disso, ações ligadas às commodities reduziram parte das perdas no fim do dia, acompanhando a recuperação dos preços do petróleo e a valorização do minério de ferro.
Diálogo permanece como principal caminho
Embora considere positiva a ampliação da lista de produtos isentos, a Amcham Brasil defende que as negociações entre os dois países continuem.
A entidade avalia que mecanismos permanentes para revisão das exceções poderiam reduzir impactos sobre cadeias produtivas em ambos os mercados e preservar oportunidades de cooperação em áreas como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual.
Com a entrada em vigor das novas tarifas prevista para 22 de julho, o foco do setor produtivo passa a ser a evolução das negociações bilaterais e a possibilidade de novas revisões na lista de produtos contemplados pelas isenções.
O post EUA confirmam taxações comerciais, mas preservam matérias-primas como minérios apareceu primeiro em Radar Mineração.
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/eua-renovam-taxacoes-comerciais-mas-preservam-minerios/













