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Engenheiro de registro ganha protagonismo na segurança de barragens

redacao by redacao
27/05/2026
in Últimas Notícias
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Engenheiro de registro ganha protagonismo na segurança de barragens
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  • O engenheiro de registro (EoR) é profissional responsável por acompanhar continuamente barragens de rejeitos, função originária do Canadá que surgiu para detectar falhas não identificadas em projetos de barragens.
  • O EoR realiza due diligence inicial minuciosa, audita todo o ciclo de vida do empreendimento e mantém dedicação contínua com conhecimento profundo da estrutura, funcionando como “médico de família” da barragem.
  • A falta de maturidade e a alta rotatividade de profissionais EoR representam riscos diretos à segurança, pois a função exige anos de conhecimento prático e domínio detalhado do histórico comportamental específico de cada estrutura.

Resumo revisado pela redação.




O engenheiro de registro ainda é pouco conhecido fora dos meios técnicos, mas trata-se de um profissional central entre os especialistas em barragens de rejeitos. A função foi um dos destaques do Tailings Brazil 2026, evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), em Belo Horizonte, com cobertura do Radar Mineração.

Da esquerda para a direita: Marcos Antônio Lemos Júnior, Joaquim Pimenta de Ávila, Paulo César Abrão e Rafael Jabur Bittar (Foto: TAILINGS 2026)

Responsável tecnicamente por acompanhar estruturas de grande porte de forma contínua, a figura do EoR (sigla em inglês para engineer of record) surgiu no Canadá, segundo o diretor da consultoria Pimenta de Ávila, Joaquim Pimenta de Ávila. O especialista lembrou que o EoR foi a resposta técnica para a necessidade de se ter uma outra visão sobre os projetos de barragens, pois é alguém que não está tão envolvido com o empreendimento no dia a dia.

De acordo com Ávila, a nova função foi organizada após a ocorrência de falhas não detectadas em barragens, criando a necessidade de uma entidade independente para perceber defeitos nos projetos de investigação.

“O EoR atua de forma um pouco redundante em relação ao projetista e deve, no início do trabalho, realizar uma due diligence minuciosa do projeto de barragem, analisando bases cartográficas e fazendo investigações antes de aceitar compartilhar a responsabilidade”, explica o consultor. Para ele, essa etapa é fundamental para que o engenheiro de registro tenha uma ideia clara de como o projeto foi concebido e quais aspectos podem apresentar problemas.

EoR deve ter conhecimento profundo das estruturas

Ávila lembrou que é obrigação do EoR acompanhar todo o ciclo de vida do empreendimento, auditando e garantindo que os procedimentos de segurança prevaleçam tanto na fase de engenharia de projetos quanto na construção.

Para o vice-presidente executivo Técnico da Vale, Rafael Jabur Bittar, o EoR funciona como um “médico de família”. “Ele precisa ter familiaridade, dedicação contínua e conhecer profundamente o histórico e o comportamento da estrutura, em vez de realizar apenas avaliações pontuais”, explicou o executivo.

O diretor da Geoconsultoria, Paulo César Abrão, aprofundou a analogia do médico de família, afirmando que o EoR funciona como um clínico geral, recorrendo a consultores experientes que atuam como médicos especialistas.

Segundo Abrão, não há conflito de interesses caso o indivíduo designado como EoR pertença à mesma empresa da projetista, desde que ele mantenha isolamento crítico, “pois todos têm o objetivo soberano de evitar falhas”, ressalta.

Bittar segue a mesma linha de pensamento e defende que “não existe independência sem familiaridade”. Para o executivo da Vale, o fato de o EoR ter dedicação e conhecer a fundo a estrutura não configura um problema. “Pelo contrário, o perigo reside em participações pontuais sem o devido acompanhamento”, ressalta.

Mediador do evento, o gerente sênior de Meio Ambiente e Gestão de Barragens da CBMM, Marcos Lemos Júnior, posicionou o engenheiro de registro como peça importante da governança de barragens. Para ele, a integração técnica é um pilar de segurança, e a boa gestão na interface entre EoR, projetistas e revisores deve ser parte da cultura corporativa.

Bittar também enfatizou a governança como um “seguro” e uma barreira crucial para evitar acidentes de geotecnia, posicionando o EoR como um dos elementos mais importantes e um “polivalente” que conecta todo o sistema, reforçando a argumentação de Lemos Júnior.

Embora destaquem que o EoR pode revisar, auditar, sugerir mudanças e até ser mais restritivo, Abrão e Ávila ressaltaram que o “dono” do projeto e responsável por ele continua sendo a empresa projetista.

De acordo com eles, o profissional que assume esse encargo precisa operar em um ambiente de grande colaboração, confiança e integração mútua com as empresas projetistas e construtoras das barragens, assim como os auditores técnicos.

Abrão levantou um alerta no mercado atual: a falta de maturidade e experiência de alguns novos profissionais atuando como EoR. Para ele, trata-se de um paradoxo, visto que a função exige anos de conhecimento prático.

Ele também criticou a rotatividade de alguns profissionais, explicando que as trocas rápidas de emprego prejudicam a função do EoR. “Quando um engenheiro de registro trabalha em uma barragem por apenas um ou dois anos, e vai para outra empresa, quem entra para substituí-lo não possui o conhecimento prévio da obra”, argumentou. “Isso é um risco direto à segurança, pois a função exige que o profissional conheça a barragem a fundo, precisando dominar detalhes críticos como a geologia da fundação, o funcionamento e a previsão de detalhes da drenagem interna, além do histórico de comportamento daquela estrutura específica”, completou.

EoR não trabalha sozinho

Em seu trabalho contínuo, o engenheiro de registro tem várias interfaces, entre elas o ITRB (da sigla em inglês para Independent Tailings Review Board). Trata-se de um grupo de profissionais de vasta experiência que realiza revisões de alto nível sobre estudos, projetos, construção e operação das estruturas.

Na prática, o ITRB serve como uma referência essencial para análises críticas e avaliações de risco, funcionando como “guias do comportamento” do EoR dentro dos empreendimentos.

Quando o EoR se depara com uma questão específica ou um problema mais complexo, ele recorre ao ITRB para avaliar a situação em detalhes e retornar com um diagnóstico preciso. Dessa forma, o ITRB complementa o trabalho do EoR, oferecendo uma camada extra de consultoria e segurança.

Infográfico explicando o papel do Engenheiro de Registro (EoR) na segurança de barragens, destacando funções no ciclo de vida, due diligence, governança, colaboração e exigências específicas para o engenheiro de registro.
Imagem gerada digitalmente

n
Fonte: https://radarmineracao.com.br/engenheiro-de-registro-ganha-protagonismo-na-seguranca-de-barragens/

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