Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A Enel Rio é a distribuidora de energia da vez a divulgar seu plano para o verão com reforço excepcional em função do super El Niño. No centro da estratégia está a descentralização do atendimento, com incremento de equipes, novas bases e CDIs (Centros de Despacho Integrado). O plano divulgado nesta segunda-feira (14) visa melhorar o atendimento a clientes em situações de interrupção ou oscilação no fornecimento de energia em conjuntura climática mais estressada.
A companhia atende 66 municípios do Rio de Janeiro, que respondem por 73% do seu território. A Região Metropolitana de Niterói e São Gonçalo e os municípios de Itaboraí e Magé têm a maioria dos 3 milhões de clientes atendidos.
Mais pessoal
Em nota, a Enel aponta que o incremento de equipes vem associado a investimentos em formação e contratação de mão de obra própria, programa iniciado em 2024 e que permitiu acrescentar 2 mil funcionários aos quadros da companhia no período. Além disso, dá conta do reforço de 19 novas bases operacionais na área de concessão, 16 inteiramente novas e outras três (Cabo Frio, Resende e Petrópolis) “ampliadas e revitalizadas”.
“As novas unidades aumentam a capilaridade de atuação da distribuidora e vão, na prática, dinamizar o atendimento a mais de um milhão de clientes, em casos de emergência ou interrupção e oscilação no fornecimento de energia”, diz a Enel.
O incremento de equipes e bases vêm com o triplo do número de veículos, na comparação entre os planos para o próximo verão e o anterior.
CDIs
A Enel Rio também planeja entrar no verão de 2026 com 100% da operação dos CDIs (Centros de Despachos Integrado) descentralizada.
“Cada uma das bases operacionais da distribuidora processa o atendimento às ocorrências de baixa tensão, serviço que antes era centralizado no Centro de Controle da empresa. Essa descentralização vai garantir mais rapidez no atendimento aos clientes”, informou a companhia.
Tecnologias
Em outra frente, a empresa ampliou digitalização e automação da rede, com a instalação de mais de 600 equipamentos.
“A distribuidora equipou 450 circuitos autônomos com tecnologia ‘self-healing’, que identifica automaticamente falhas ou anomalias na rede e restaura o serviço sem a intervenção humana direta, em até 1,5 minuto por meio de equipamentos inteligentes telecomandados, beneficiando 1,6 milhão de clientes”, diz. Além disso, para aumentar a efetividade dos comandos, a distribuidora afirma ter promovido a modernização da comunicação via satélite em 248 equipamentos.
Áreas remotas
Para o próximo verão, dois novos recursos devem auxiliar a distribuidora nas áreas de atendimento mais remotas, como Paraty, Ilha Grande e as chamadas zonas “de sombra”. Nas duas primeiras localidades, em caso de falta de energia, serão acionados geradores remotamente, diretamente do Centro de Controle. Já nas áreas de sombra da Região Serrana e Costa Verde, as equipes serão equipadas com mochilas de comunicação via satélite para garantir o contato dos eletricistas com o Centro de Operações.
Prevenção e integração
Além das medidas tomadas para robustecer a operação no fim de 2026 e início de 2027, a Enel Rio cita, em nota, o trabalho contínuo de prevenção. Nesse sentido, alega ter modernizado mais de 240 quilômetros de rede em 42 cidades da área de concessão, promovido 154 mil lavagens de rede, sobretudo nos municípios litorâneos, os mais impactados pela maresia. Até o fim do ano, afirma, serão quase 37 mil manutenções preventivas na rede e 645 mil podas preventivas.
Outro ponto de destaque é a integração com o poder público, no que a concessionária cita a montagem de salas de cooperação com as prefeituras das cidades mais impactadas, para “otimizar recursos e trabalhar em parceria com as Defesas Civis”, e a atuação de um operador permanente no Centro de Gerenciamento de Riscos e Emergência em Energia, criado no fim de 2023 pelo Governo do Estado para monitorar e aperfeiçoar a gestão de atividades relacionadas ao tema.
Investimento
Em nota, a companhia informou que, ao longo de 2025, investiu R$ 1,8 bilhão na modernização da sua rede elétrica e, no primeiro semestre de 2026, destinou R$ 880 milhões com este fim, 34% a mais em comparação ao mesmo período do ano anterior.
“O Tempo Médio de Atendimento (TMA) apresentou um avanço de 25% na média do primeiro semestre deste ano, se comparados ao mesmo período de 2023. Os investimentos realizados igualmente se refletem na evolução dos principais indicadores de qualidade monitorados pela Aneel. Entre junho de 2024 e junho de 2026, a duração média das interrupções de energia (DEC) foi reduzida em 18%, enquanto a frequência média das interrupções (FEC) caiu 9%”, anota a empresa.











