O mercado brasileiro de cobre está em um dos seus momentos mais relevantes. O desempenho da commodity foi positivo no primeiro semestre do ano, com exportações crescendo 83,8% e alcançando US$ 3,87 bilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Já o faturamento avançou 41%, somando R$ 20,6 bilhões. As perspectivas são positivas para o futuro também, pois o metal assumiu protagonismo nas discussões sobre a transição energética, e este deve ser um dos temas mais discutidos na Exposibram 2026.
O cenário internacional reforça essa tendência. Durante a apresentação do relatório Global Critical Minerals Outlook 2026, da Agência Internacional de Energia (IEA), especialistas destacaram que o Brasil e outros países da América Latina têm condições de ampliar a participação nas cadeias globais de minerais críticos, principalmente se fortalecerem a capacidade regional de refino e o aproveitamento de subprodutos obtidos na produção de cobre.
Oportunidade geopolítica
Um exemplo citado por Alessio Scanziani, especialista em minerais críticos da IEA e um dos autores do estudo, é que as refinarias latino-americanas podem ampliar investimentos na recuperação de minerais estratégicos, como molibdênio e rênio, obtidos como subprodutos da mineração de cobre. Na avaliação do especialista, esse movimento exige investimentos relativamente modestos quando realizado em plantas já existentes ou em implantação, permitindo diversificar a oferta de minerais críticos.
Os indicadores operacionais das grandes produtoras também explicam o bom momento do cobre. A Anglo American informou produção de 173,2 mil toneladas no segundo trimestre, volume 2% superior ao registrado no primeiro trimestre deste ano. A companhia também revisou para baixo sua estimativa de custos unitários, reduzindo a projeção global de aproximadamente 172 para 145 centavos de dólar por libra. Segundo a empresa, o resultado decorre de ganhos operacionais, maior aproveitamento de créditos obtidos com subprodutos, como o molibdênio, e disciplina na gestão de custos.
A Vale também apresentou crescimento na produção de cobre. No segundo trimestre de 2026, a companhia produziu 98,4 mil toneladas, volume 6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e o melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2017.
O avanço foi impulsionado principalmente pelos ativos brasileiros. O complexo de Salobo atingiu 52,4 mil toneladas, estabelecendo recorde para um segundo trimestre, enquanto Sossego produziu 25,9 mil toneladas, com aumento de 5,4 mil toneladas na comparação anual. As vendas de cobre pagável somaram 97,6 mil toneladas, refletindo o aumento da produção.
O cobre na Exposibram 2026
O contexto positivo deve pautar diferentes momentos da programação da Exposibram 2026, que acontece de 24 a 27 de agosto em Belo Horizonte, com cobertura ampla do Radar Mineração.
No dia 25 de agosto, das 14h às 15h30, um debate intitulado “Discussão de mercado das principais empresas brasileiras – minério de ferro, cobre e ouro”, acontece no Palco B do congresso do evento. O painel deve discutir tendências, perspectivas e desafios para as três principais commodities minerais brasileiras.
O debate será moderado por Ismael Daoud, gerente de Vendas para a América Latina da Wood Mackenzie, e reunirá Antonio Schettino Gomes Pereira, diretor de Operações da Vale; Carlos Rodrigues de Campos Mello, CEO da CSN Mineração; Murilo Muller, CFO da Vale Base Metals; e Rodrigo Barsante Gomides, presidente da Kinross Brasil.
Antes disso, no dia 24 de agosto, o Talk Show de abertura do evento contará com a participação de Eduardo de Come, vice-presidente da Ero Copper, discutindo os impactos da geopolítica sobre a mineração mundial.
Na sequência, o painel “A nova geopolítica dos minérios”, apresentado por Rohitesh Dhawan, presidente e CEO do ICMM, deverá tratar das transformações nas cadeias globais de minerais estratégicos, discussão que inclui o cobre diante de seu papel na eletrificação e transição energética.
No dia 25 de agosto, o talk show “As principais tendências no mercado de commodities minerais” reunirá especialistas da EY, BHP, CRU Group e Mosaic para analisar os movimentos do mercado internacional em um contexto de mudanças geopolíticas.
Outro debate relacionado ao tema ocorrerá em 26 de agosto, com o painel “A importância da política para Minerais Críticos e Estratégicos no Brasil”, voltado às políticas públicas para minerais considerados estratégicos, como o cobre.
* Acompanhe a cobertura da Exposibram 2026 no Radar Mineração.
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/bom-momento-o-cobre-deve-ser-reverberado-na-exposibram-2026/








