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Anuário traz balanço de minerais para segurança de alimentos

redacao by redacao
04/06/2026
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Anuário traz balanço de minerais para segurança de alimentos
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A mineração é um pilar para garantir a produção de alimentos em grande escala, de acordo com o Anuário Estatístico do Setor de Fertilizantes, publicado pelo Ministério das Minas e Energia (MME) em novembro passado. Isso acontece porque a produção de fertilizantes depende de insumos minerais, especialmente fontes de fósforo (P) e de potássio (K). Esses minérios, por sua vez, são transformados em compostos químicos para aplicação como fertilizantes, incluindo formulações como o NPK, que combinam nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K).

Para o Brasil, grande produtor mundial de alimentos, é importante ter um histórico do consumo e de quem está fornecendo os fertilizantes que podem aumentar a produtividade do agronegócio. O documento analisa a produção mundial e brasileira de fósforo, potássio e nitrogênio, além dos chamados agrominerais silicáticos e do calcário agrícola, entre 2017 e 2024. 

O anuário também mostra como a indústria nacional supre essa demanda e o nível de consumo de cada um deles ao longo do período focado. Um dos dados importantes é a dependência de nitrogênio, fósforo e potássio dos fornecedores internacionais. Em 2024, por exemplo, 97,5% do consumo de nitrogênio para segurança alimentar foi suprido pela importação. No caso do potássio, a dependência foi de 97,1%. A importação também é marcante no caso do fósforo: 74,1%.

Foto: Gov.br

Para entender os dados do Anuário, o Radar Mineração resumiu os principais tópicos do documento. Acompanhe:

Nitrogênio 

O que se mede, nesse caso, é a produção equivalente do N contido em amônia. De acordo com o anuário, depois do pico de produção nacional em 2022, houve um decréscimo de 31,2% em 2023 e uma nova queda, dessa vez de 57,9%, em 2024. O dado mais recente (2024) mostra que os fornecedores internos entregaram 158 mil toneladas, sendo que o Brasil importou 16,7 milhões de toneladas no mesmo período. O estado do Mato Grosso lidera a demanda, seguido de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina. Cerca de 72 países estão entre os fornecedores do Brasil, com a China sendo o maior deles, superando a Rússia, maior supridor até 2021. Omã, Nigéria e Catar aparecem nessa ordem em 2024.

Fósforo 

A produção interna equivalente a fósforo, no formado de pentóxido de fósforo (P2O5), mostrou uma queda de 10% em 2024, chegando a 1,6 milhões de toneladas. O fornecimento interno tem aumentado, mas a produção local supriu somente 14% da demanda nacional em 2021, contra 18% observados em 2018. Esse ano foi o maior pico de produção interna no período analisado pelo documento, com 1,98 milhões de toneladas. Depois de uma queda de 12,6% nas importações em 2022, houve um aumento de 1% em 2023 e de 4,1% em 2024, quando o Brasil recebeu 15,4 milhões de toneladas equivalentes de P2O5. 

Entre 2017 e 2024, o Marrocos foi o principal fornecedor, seguido da Rússia, China e Estados Unidos. O Rio Grande do Sul é o principal consumidor brasileiro, seguido do Paraná, Mato Grosso, São Paulo, Maranhão e Bahia. Na produção de fósforo é importante destacar os produtos intermediários e matérias-primas da cadeia de produção. A exploração da rocha fosfática responde por 30% do P2O5. Já o superfosfato simples, que contém 18% do fósforo, representa 25,5% da produção total.

Potássio

Em 2024, o Brasil produziu 243 mil toneladas de óxido de potássio (K20), um aumento de 12,5% em relação ao ano anterior. Entre 2019 e 2022, a produção interna mostrou uma queda contínua, até atingir 193 mil toneladas em 2022, o pior ano do período 2018-24. 

Em 2024, o mercado local entregou 1,5 milhões de toneladas de K2O, mas o país importou 14,46 milhões, com a Rússia puxando o fornecimento, seguida do Canadá e Uzbequistão, além de Israel. No período analisado pelo documento, o Canadá (31,9 milhões de toneladas) foi o maior supridor do Brasil, superando a Rússia, que entregou 27,3 milhões de toneladas de 2017 a 2024. Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo lideram o consumo, seguidos por Minas Gerais e Goiânia.

Agrominerais e remineralizadores

Essa classe de minerais usados no agro envolve quatro classificações no relatório do MME: fertilizantes naturais, remineralizadores e material secundário, além daqueles “em processo de classificação”. No total, os 83 produtores nacionais dessa área entregaram 25,6 milhões de toneladas de agrominerais e remineralizadores entre 2019 e 2023. Desse total, os fertilizantes naturais somaram 11,7 milhões de toneladas e os remineralizadores outros 11,5 milhões de toneladas. Os materiais potássicos foram predominantes nessa produção, chegando a 14,6 milhões de toneladas, seguidos dos calcários magnesianos, com 6,7 milhões de toneladas.

Calcário agrícola

Essa área não depende de importação e a produção chegou a 401 milhões de toneladas de 2017 a 2024, com o Mato Grosso na liderança nesse período – pouco mais de 20% de todo o volume. Minas Gerais, Goiás e Paraná tiveram uma produção similar, entre 51 milhões de toneladas e 55 milhões de toneladas. A produção anual oscilou nesse período, com destaque para o aumento de 20,4% entre 2020 e 2021, quando atingiu 54,5 milhões de toneladas, chegando às 59,9 milhões de toneladas de 2024. Praticamente toda a produção nacional foi consumida, uma vez que o anuário aponta para um consumo acumulado de 400,9 milhões e toneladas entre 2017-24.

Covid-19 e guerra da Ucrânia dobrou preço de fosfato e potássio

A relevância dos agrominerais estratégicos para a segurança alimentar também foi tema de um estudo do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem). O documento analisa especificamente a importância do fósforo e do potássio. Utilizando plataformas digitais como o ComexMin, as três autoras do estudo analisaram os fluxos de importação e exportação entre 2013 e 2022 para compreender a dependência externa do setor agrícola.

Segundo a pesquisa, o Brasil importa grandes volumes de insumos básicos para fabricar fertilizantes internamente, estando vulnerável a oscilações geopolíticas e crises globais que elevam os preços das commodities.

E mais: somos fortemente dependentes de países como Marrocos, Rússia, Estados Unidos e China para o fornecimento de fosfato, e de nações como Canadá, Rússia, Belarus e Alemanha para a compra de potássio.

Para as especialistas, o monitoramento constante desses dados é vital para reduzir riscos de abastecimento em um cenário de alta demanda mineral. O trabalho ressalta ainda que a autossuficiência mineral é estratégico para manter a competitividade do protagonismo agrícola brasileiro no mundo.

O estudo indica como o país pode se tornar mais autossuficiente, começando com a priorização de soluções focadas em setores-chave do agronegócio. No caso do potássio e do fosfato, que fazem parte dos minerais cuja dependência externa é altíssima, o Brasil pode buscar soluções e investimentos que viabilizem a autossuficiência focada especificamente na extração ou substituição destes minerais.

Outra sugestão é aproveitar e expandir a capacidade de fabricação interna. Os dados comerciais revelam que o Brasil já importa 27 vezes mais cloreto de potássio bruto do que fertilizantes prontos para o uso, o que indica que o país já realiza a fabricação de fertilizantes dentro de seu próprio mercado interno.

A redução da dependência do insumo importado para alimentar essa indústria nacional protegeria o país das severas flutuações de preços causadas por crises no cenário internacional, incluindo pandemias e guerras.

Segundo o estudo, a guerra na Ucrânia, em conjunto com a pandemia de Covid-19, contribuiu de forma significativa para elevar ao dobro a cotação média das commodities de fosfato e potássio entre os anos de 2020 e 2022.

n
Fonte: https://radarmineracao.com.br/anuario-traz-balanco-de-minerais-para-seguranca-de-alimentos/

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