Pela primeira vez em quase quatro décadas de cooperação espacial, Brasil e China trabalham juntos no desenvolvimento de um satélite geoestacionário, uma categoria inédita na parceria entre os dois países.
Diferentemente dos satélites de baixa órbita, que passam sobre um mesmo ponto do planeta em determinados momentos, um satélite geoestacionário permanece fixo sobre a mesma região, a cerca de 36 mil quilômetros de altitude, permitindo monitoramento contínuo e geração de dados em tempo real daquela área. Esses dados servirão para aplicações meteorológicas e ambientais.
Além de representar um avanço estratégico para o programa espacial brasileiro, o projeto evidencia a importância da mineração, já que a construção do equipamento depende de diversos minerais utilizados em sua estrutura e em seus sistemas eletrônicos.
Batizado de CBERS-5, o equipamento poderá ser usado para telecomunicações, meteorologia e navegação. Atualmente, o Brasil utiliza estes dados de satélites de outros países, que não são focados especificamente no território nacional.
“O CBERS-5 trabalhará em dois modos: o primeiro oferece dados de todo o planeta. O segundo é um modo zoom que foca em uma área específica. Então, se tivermos uma área de clima mais instável, podemos focar nosso satélite ali”, afirmou Adenilson Roberto da Silva, coordenador-geral de Engenharia, Tecnologia e Ciências Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em entrevista ao Radar Mineração.
O novo satélite também será capaz de monitorar os focos das emissões dos gases de efeito estufa, os principais agentes que causam mudanças climáticas. De acordo com Silva, o Brasil está em negociações com a Alemanha para a construção de um futuro satélite, cuja missão chamará CO2 Image, apenas focado nestes gases. Este projeto será capaz de fornecer fotografias ainda mais precisas sobre áreas brasileiras.
O especialista afirma que o CBERS-5 já está em estágio avançado de negociações com a China sobre prazos e responsabilidades. Ele deve ser lançado entre 2030 e 2031.
A essencialidade da mineração
A construção do satélite depende diretamente da mineração. De acordo com o especialista do INPE, praticamente todos os componentes do equipamento utilizam minerais, com destaque para alumínio, titânio, silício e cobre. Embora parte dos materiais seja obtida no exterior, muitos desses minerais estão disponíveis no Brasil.
“Um satélite faz uso de dezenas de minerais, muitos disponíveis aqui no Brasil. Por isso, a indústria espacial está diretamente ligada à indústria de mineração no país”, explica Silva.

Além da fabricação do equipamento, o especialista destacou que os dados gerados pelo CBERS-5 poderão também beneficiar diretamente as operações de mineração. Informações mais precisas sobre clima, atividade solar e condições ambientais tendem a aumentar a eficiência do planejamento operacional e reduzir impactos sobre sistemas utilizados, por exemplo, em equipamentos autônomos.
Amazonia-1B entra na fase final de preparação
Além CBERS-5, o programa espacial brasileiro também avança com o Amazonia-1B, que está em fase final de preparação. O satélite será o primeiro da missão AQUAE, dedicada ao monitoramento dos recursos hídricos continentais e marinhos do Brasil, além do acompanhamento da atmosfera, da previsão do tempo e do clima.
A missão integra a cooperação internacional SABIA-Mar, em parceria com a Argentina, e dará continuidade ao fornecimento de dados ambientais atualmente produzidos pelos satélites CBERS, ampliando a capacidade brasileira de observação do território e dos recursos naturais.
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/brasil-e-china-anunciam-desenvolvimento-de-satelite-inedito/













