sexta-feira, julho 31, 2026
BURITIPAR
  • Home
  • Quem Somos
  • Últimas Notícias
  • Contato
  • Economia
  • Geral
No Result
View All Result
  • Home
  • Quem Somos
  • Últimas Notícias
  • Contato
  • Economia
  • Geral
No Result
View All Result
BURITIPAR
No Result
View All Result
Home Infra

Artigo | Reequilíbrio no saneamento: o desafio não será apenas calcular, mas comprovar

redacao by redacao
31/07/2026
in Infra
0 0
0
Artigo | Reequilíbrio no saneamento: o desafio não será apenas calcular, mas comprovar
0
SHARES
0
VIEWS
Share on FacebookShare on Twitter


Haroldo Domingos Bertoni Filho*

A decisão da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) de estudar uma norma para orientar o reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de saneamento diante da reforma tributária representa um passo importante para reduzir a insegurança jurídica no setor. A discussão, no entanto, revela um desafio que vai muito além da definição de novas alíquotas ou da atualização das tarifas: estabelecer critérios técnicos e jurídicos capazes de comprovar, de forma objetiva, os impactos efetivos da mudança tributária em cada contrato.

O novo sistema de tributação sobre o consumo altera profundamente a lógica econômica das concessões. A substituição do modelo atual pelo IVA Dual, composto pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), exige uma reavaliação completa das estruturas financeiras dos contratos. Essa recomposição, entretanto, não poderá ser realizada com base em cálculos simplificados ou estimativas genéricas.

Embora a ANA tenha competência para editar Normas de Referência, a análise concreta dos pedidos de reequilíbrio continuará a cargo de mais de 80 agências reguladoras estaduais, municipais e regionais. Essa descentralização faz com que a futura regulamentação federal exerça um papel orientador, mas não elimine o risco de interpretações distintas para situações semelhantes.

Na prática, contratos com características próximas poderão receber tratamentos diferentes, dependendo da agência responsável pela regulação. Divergências relacionadas aos critérios de cálculo, à documentação exigida e aos prazos de análise podem ampliar a insegurança jurídica justamente em um momento no qual o setor precisa acelerar investimentos para cumprir a meta de universalização dos serviços até 2033.

Outro ponto que merece atenção é que os efeitos da reforma tributária não serão uniformes entre as concessionárias. O novo regime amplia a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários relacionados a investimentos em obras, equipamentos e infraestrutura, o que pode beneficiar contratos ainda em fase intensiva de expansão. Por outro lado, concessões mais maduras, cuja estrutura de custos esteja concentrada na operação e na folha de pagamento, tendem a enfrentar uma carga tributária efetiva mais elevada, uma vez que as despesas com mão de obra não geram créditos de CBS e IBS.

Esse cenário demonstra que o verdadeiro desafio do reequilíbrio será identificar o impacto líquido da reforma sobre cada contrato. Será necessário excluir das tarifas atuais os tributos incorporados ao modelo anterior, recalcular a incidência do novo sistema e comprovar, com base em informações contábeis consistentes, a existência e a dimensão do efetivo desequilíbrio econômico-financeiro da concessão.

Há, ainda, um fator pouco discutido, mas igualmente relevante: a mudança no fluxo de caixa das empresas. Com a implementação do mecanismo de split payment, a parcela correspondente aos tributos será direcionada ao poder público no momento do pagamento da fatura pelo consumidor. Isso elimina o intervalo atualmente existente entre o recebimento da receita e o recolhimento dos tributos, reduzindo a liquidez disponível às concessionárias.

Caso os processos de revisão tarifária não ocorram com a agilidade necessária, esse novo modelo poderá pressionar o caixa das empresas justamente durante o período de transição para a reforma. Por isso, é importante que os reguladores avaliem a adoção de mecanismos de reequilíbrio cautelar ou provisório, capazes de preservar a continuidade dos investimentos enquanto as análises definitivas não forem concluídas.

Além dos reflexos financeiros, o setor enfrenta um relevante desafio operacional. A obrigatoriedade da NFag (Nota Fiscal de Água e Saneamento Eletrônica) inaugura uma nova realidade para empresas que, historicamente, não estavam sujeitas à emissão de documentos fiscais eletrônicos nos moldes exigidos pelo novo sistema tributário.

O ano de 2026, embora ainda marcado por alíquotas de teste, será decisivo para a formação das bases de dados que, no futuro, servirão de referência para comprovar os efeitos da reforma. Informações inconsistentes, erros de parametrização ou falhas na escrituração poderão comprometer a própria demonstração do desequilíbrio econômico-financeiro dos contratos.

Diante desse cenário, esperar apenas pela publicação das normas regulatórias não parece ser a estratégia mais prudente. As concessionárias precisam iniciar, desde já, uma revisão detalhada de seus modelos contábeis, tributários e financeiros, organizando dados e estruturando evidências capazes de demonstrar com precisão como a reforma altera a realidade econômica de cada contrato.

Mais do que uma discussão sobre aumento ou redução de tributos, o debate passa a envolver uma questão de prova. A capacidade de documentar corretamente os efeitos da reforma, apresentar fundamentos técnicos consistentes e estabelecer um diálogo eficiente com os órgãos reguladores poderá definir o sucesso dos pedidos de reequilíbrio e, consequentemente, a continuidade dos investimentos necessários à expansão do saneamento no país.

A reforma tributária inaugura uma nova etapa para a infraestrutura brasileira. Nesse contexto, a segurança jurídica não dependerá apenas da edição de normas, mas também da qualidade das informações produzidas pelas concessionárias, da uniformidade das decisões regulatórias e da capacidade de transformar a complexidade tributária em demonstrações técnicas robustas. Esses elementos serão essenciais para preservar o equilíbrio dos contratos e garantir a continuidade da prestação de um serviço indispensável à população.

*Haroldo Domingos Bertoni Filho é sócio do Toledo Marchetti Advogados, com experiência em Direito Tributário. É doutorando e mestre em Direito Constitucional e Processual Tributário pela PUC-SP, bacharel em Direito pela mesma instituição e em Ciências Contábeis pela Trevisan Escola de Negócios.

As opiniões dos autores não refletem necessariamente o pensamento da Agência iNFRA, sendo de total responsabilidade do autor as informações, juízos de valor e conceitos descritos no texto.



Source link

Previous Post

Dólar cai ao menor nível em quase dois meses, com alívio externo

redacao

redacao

Stay Connected test

  • 23.9k Followers
  • 99 Subscribers
  • Trending
  • Comments
  • Latest
Com check-in digital, hóspede pode chegar a hotel com ficha preenchida

Com check-in digital, hóspede pode chegar a hotel com ficha preenchida

11/05/2026
Governo promete reverter veto da UE a carnes e animais brasileiros

Governo promete reverter veto da UE a carnes e animais brasileiros

12/05/2026
Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 45 milhões neste sábado

Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 45 milhões neste sábado

11/05/2026
Dono de Porsche que matou motorista de app em SP vai a júri popular

Dono de Porsche que matou motorista de app em SP vai a júri popular

11/05/2026
Dono de Porsche que matou motorista de app em SP vai a júri popular

Dono de Porsche que matou motorista de app em SP vai a júri popular

0
São Paulo tem a menor temperatura do ano nesta madrugada

São Paulo tem a menor temperatura do ano nesta madrugada

0
Cesta básica fica mais cara em todas as capitais no mês de abril

Cesta básica fica mais cara em todas as capitais no mês de abril

0
Embraer firma parceria com metalúrgica indiana 

Embraer firma parceria com metalúrgica indiana 

0
Artigo | Reequilíbrio no saneamento: o desafio não será apenas calcular, mas comprovar

Artigo | Reequilíbrio no saneamento: o desafio não será apenas calcular, mas comprovar

31/07/2026
Dólar cai ao menor nível em quase dois meses, com alívio externo

Dólar cai ao menor nível em quase dois meses, com alívio externo

31/07/2026
Presidente da PPSA diz que leilão de gás pode acontecer em novembro

Presidente da PPSA diz que leilão de gás pode acontecer em novembro

31/07/2026
Eduardo Bolsonaro fala em agredir Kim Kataguiri e deputado reage com desafio

Eduardo Bolsonaro fala em agredir Kim Kataguiri e deputado reage com desafio

31/07/2026

Recent News

Artigo | Reequilíbrio no saneamento: o desafio não será apenas calcular, mas comprovar

Artigo | Reequilíbrio no saneamento: o desafio não será apenas calcular, mas comprovar

31/07/2026
Dólar cai ao menor nível em quase dois meses, com alívio externo

Dólar cai ao menor nível em quase dois meses, com alívio externo

31/07/2026
Presidente da PPSA diz que leilão de gás pode acontecer em novembro

Presidente da PPSA diz que leilão de gás pode acontecer em novembro

31/07/2026
Eduardo Bolsonaro fala em agredir Kim Kataguiri e deputado reage com desafio

Eduardo Bolsonaro fala em agredir Kim Kataguiri e deputado reage com desafio

31/07/2026
BURITIPAR

© 2026 ISTO É SÃO PAULO

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
No Result
View All Result
  • Home
  • Quem Somos
  • Últimas Notícias
  • Contato
  • Economia
  • Geral

© 2026 ISTO É SÃO PAULO