Embora represente uma parcela minoritária da atividade mineral, a mineração subterrânea atua estrategicamente na extração de jazidas localizadas em profundidades, onde a lavra a céu aberto é inviável. Baseada em túneis, galerias e poços, essa modalidade reúne algumas das operações mais complexas da mineração moderna e exige elevados investimentos em infraestrutura, segurança e tecnologia.
Impulsionada pela crescente demanda por minerais críticos para a transição energética e pela evolução de tecnologias como automação, inteligência artificial e operação remota, a mineração subterrânea amplia sua eficiência, reduz riscos aos trabalhadores e contribui para tornar a atividade mais sustentável. Ainda que enfrente desafios relacionados aos custos operacionais e à conectividade, o segmento apresenta perspectivas de crescimento tanto no Brasil quanto no mercado internacional.
O que é uma mina subterrânea?
De acordo com o glossário do Radar Mineração, a mina subterrânea é um “tipo de lavra cujo método de extração mineral utiliza túneis, galerias e poços para acessar depósitos em profundidade. Empregada quando o minério está distante da superfície ou quando a lavra a céu aberto é inviável”.
Em vez de remover grandes volumes de solo e rocha pela superfície, como ocorre na mineração a céu aberto, esse método cria uma rede de túneis que permite alcançar diretamente a jazida mineral. Por se tratar de uma atividade complexa e em profundidade, a mineração subterrânea demanda sistemas permanentes de ventilação, drenagem e suporte das escavações para garantir segurança operacional. Além disso, exige equipamentos especializados, protocolos rigorosos de segurança e investimentos em infraestrutura e tecnologia.
Entre suas vantagens estão a possibilidade de explorar depósitos profundos, principalmente quando a espessa camada de estéril inviabilizaria uma mina a céu aberto, e o menor impacto visual sobre a paisagem. Em contrapartida, apresenta custos elevados, produtividade limitada devido a maior dificuldade de acesso de maquinário e maiores desafios operacionais relacionados a desmoronamentos, gases tóxicos e condições extremas de trabalho.
Aplicação na mineração
A mineração subterrânea é empregada principalmente na extração de minerais de alto valor ou localizados em grandes profundidades. No Brasil, esse método é utilizado para a exploração de ouro, cobre, zinco, tungstênio, carvão, potássio e outros minerais estratégicos para diferentes cadeias industriais.
Sua operação também vem sendo transformada por tecnologias de monitoramento em tempo real, equipamentos de contenção de rochas, sensores capazes de identificar movimentações geológicas, carregadeiras operadas remotamente e perfuratrizes autônomas. Essas soluções reduzem a exposição dos trabalhadores às áreas de risco e aumentam a eficiência operacional.
Sustentabilidade
Sob a perspectiva ambiental, a mineração subterrânea tende a apresentar menor interferência sobre a superfície quando comparada à lavra a céu aberto. Como a extração ocorre diretamente no minério, há menor necessidade de remoção de vegetação, menor alteração da paisagem e menor geração de estéril, tornando a exploração mais seletiva. Essa característica também contribui para reduzir riscos de contaminação de recursos hídricos e facilitar a recuperação ambiental após o encerramento das atividades.
A sustentabilidade também avança pelo uso crescente de tecnologias digitais. Estratégias baseadas em inteligência artificial, internet das coisas (IoT), machine learning e ciência de dados permitem maior precisão nas perfurações, reduzindo esforços, consumo de recursos e geração de resíduos. Paralelamente, cresce a adoção de equipamentos elétricos, que substituem máquinas movidas a diesel e tornam o ambiente subterrâneo mais seguro e confortável para os trabalhadores.
Outro aspecto relevante é a evolução dos sistemas de segurança. Sensores monitoram gases tóxicos, dispositivos detectam movimentações nas rochas antes de possíveis desplacamentos, sistemas de ventilação garantem a qualidade do ar e tecnologias vestíveis acompanham as condições de saúde dos trabalhadores em tempo real, reduzindo significativamente os riscos operacionais.
Mercado nacional e mercado global

Embora o Brasil possua pouco mais de 3.300 minas em operação, apenas cerca de 4% delas são subterrâneas, evidenciando a predominância da mineração a céu aberto no país. Ainda assim, essa modalidade desempenha papel estratégico na produção de minerais essenciais para setores como siderurgia, fertilizantes, geração de energia e eletrônicos.
No cenário internacional, as minas subterrâneas também são menos numerosas do que as operações de superfície, mas ganham relevância diante da crescente demanda por minerais ligados à eletrificação, à digitalização e à transição energética. Um exemplo emblemático são as minas suecas de Kiruna e Malmberget, entre as maiores minas subterrâneas de minério de ferro do mundo, responsáveis por aproximadamente 80% do ferro extraído pela União Europeia. Para dimensionar a importância da mina de Kiruna, sua expansão está causando a realocação da cidade inteira, prédio por prédio, 3 km para o leste.
Esse movimento impulsiona também o mercado de equipamentos para mineração subterrânea. De acordo com a consultoria Fortune Business Insights, o segmento foi avaliado em US$ 32,16 bilhões em 2023 e deve atingir cerca de US$ 48 bilhões até 2032, com crescimento anual composto próximo de 5%, refletindo a necessidade crescente de soluções tecnológicas voltadas à produtividade, automação e segurança.
Tendências
O futuro da mineração subterrânea aponta para operações cada vez mais digitalizadas, autônomas e conectadas. Sistemas de controle remoto, IA, robótica, sensores inteligentes e modelagem tridimensional devem ampliar a precisão das operações, reduzir custos e aumentar a segurança dos trabalhadores. Em muitas minas, operadores já passam a controlar equipamentos a partir de salas de comando na superfície, reduzindo a exposição aos riscos do ambiente subterrâneo.
Outra tendência é a eletrificação da frota de equipamentos, acompanhada da evolução dos sistemas de monitoramento das baterias por inteligência artificial. Paralelamente, cresce a demanda por infraestrutura digital para viabilizar operações autônomas em minas profundas.
Esse cenário também transforma o perfil profissional do setor que, em vez da atuação direta na frente de lavra, tende a assumir funções ligadas ao monitoramento e à supervisão de sistemas automatizados.
n
Fonte: https://radarmineracao.com.br/o-que-e-mina-subterranea/








