A busca da mineração por operações mais eficientes, seguras e sustentáveis tem impulsionado o uso da correia transportadora como alternativa ao transporte convencional por caminhões, especialmente em empreendimentos de grande porte. Capazes de movimentar grandes volumes de minério de forma contínua e automatizada, esses sistemas reduzem custos operacionais, diminuem o consumo de combustível e contribuem para a descarbonização das operações.
Ainda que representem um investimento elevado, com longo período de retorno, empresas mineradoras consideram as correias transportadoras no longo prazo, o que faz o mercado saltar aproximadamente meio bilhão entre 2025 e 2031. No Brasil, o sistema truckless da Vale, na mina S11D, já integra a infraestrutura de transporte.
O que é uma correia transportadora?
De acordo com o glossário do Radar Mineração, a correia transportadora é um “sistema contínuo de transporte de material composto por uma cinta (correia) de borracha ou material sintético que se move sobre roletes de apoio, acionada por tambores motorizados, utilizado para movimentar minério, estéril e insumos ao longo das diversas etapas do processo produtivo”.
Na mineração, a estrutura se estabelece como uma alternativa aos caminhões fora de estrada. Sua escolha pode resultar em menor custo operacional, maior capacidade de transporte contínuo, menor emissão de CO₂, menor consumo energético e maior segurança operacional.
Dependendo da aplicação e do insumo a ser transportado, as empresas podem optar dentre as correias transportadoras de aramida, tecido, tubos, parede lateral, cabo de aço e Chevron.
Aplicação na mineração
Nas operações minerárias, as correias transportadoras integram a cadeia logística desde a extração até o beneficiamento e a expedição do minério. Ao transportar grandes volumes de material de forma ininterrupta, as operações minerárias conseguem aumentar a produtividade ao mesmo tempo em que diminuem o risco de acidentes de trabalho e aumentam o controle sobre a carga transportada.

Entre os principais exemplos brasileiros está a correia contínua da Alunorte, em Barcarena (PA), com aproximadamente 11 quilômetros de extensão. O sistema liga o Porto de Vila do Conde à refinaria, transporta a bauxita até o pátio industrial por meio de uma estrutura totalmente coberta, que protege o material das chuvas e reduz a dispersão de poeira no ambiente.
Outro caso de destaque é a mina S11D, da Vale, em Canaã dos Carajás (PA). O empreendimento utiliza um sistema composto por cerca de 9,5 quilômetros de correias interligadas para transportar o minério da cava até a usina de beneficiamento em um processo totalmente automatizado. A solução substitui caminhões fora de estrada no chamado sistema truckless, considerado uma referência tecnológica para a mineração.
Sustentabilidade na prática
O avanço das correias transportadoras está diretamente relacionado aos compromissos da mineração com eficiência energética e redução das emissões de carbono. Ao substituir parte da frota de caminhões movidos a diesel, esses sistemas reduzem significativamente o consumo de combustível, as emissões de gases de efeito estufa e o fluxo de veículos pesados nas minas, contribuindo para operações mais limpas e seguras.
De acordo com a Vale, o sistema truckless da S11D reduz o consumo de combustível em mais de 70% em relação ao modelo convencional baseado em caminhões. A redução do impacto ambiental também se dá por meio da capacidade das correias transportadoras em minimizar a erosão do solo e a movimentação de poeira.
Mercado brasileiro e cenário global

O Brasil abriga alguns dos projetos de correias transportadoras mais relevantes do mundo, concentrados principalmente no Pará. Além da maior correia contínua do país, pertencente à Alunorte, o estado também reúne o sistema truckless da Vale em S11D, evidenciando sua posição como polo de grandes investimentos em mineração e logística mineral.
No cenário internacional, o mercado de correias transportadoras para mineração segue em expansão. Conforme o levantamento da Mordor Intelligence, o setor deverá saltar de US$ US$ 2,03 bilhões em 2026 para US$ 2,44 bilhões até 2031, com crescimento médio anual (CAGR) de 3,75%. A expansão é impulsionada pela substituição gradual do transporte por caminhões a diesel por sistemas eletrificados, pelo aumento da demanda por minerais críticos e pela necessidade de elevar a produtividade das minas.
Geograficamente, a Ásia-Pacífico lidera o mercado em participação na receita, com 38,64% em 2025. Do ponto de vista do tipo de correia, as de cabo de aço foram a escolha principal, com 47,17% de participação.
Tendências para o futuro
A evolução das correias transportadoras acompanha a transformação digital e ambiental da mineração. A tendência é que novos projetos realoquem os recursos empregados em caminhões a diesel em processos de britamento e transporte em cava eletrificados, conforme identificou o relatório. No cenário global, o estudo observa ainda o crescimento médio anual de 4,19% do mercado africano, impulsionado por projetos de Cobre no Congo, fosfato no Egito e ouro na África do Sul. Já em relação ao tipo de correia, os modelos híbridos e de aramida se destacam com CAGR de 4,22%.
Para o futuro, o aproveitamento energético das estruturas também pode ser ampliado, tendo como referência a iniciativa da Samarco. Em um projeto-piloto desenvolvido na unidade de Germano, a empresa utiliza inversores regenerativos para transformar parte da energia gerada pela descida do minério em eletricidade reaproveitada pela própria operação. Nessa solução, uma única correia pode recuperar aproximadamente 166 mil kWh por mês.
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/o-que-e-correia-transportadora/









