A oportunidade para o Brasil ocupar uma posição de destaque na cadeia global de terras raras é real, mas não permanente. Essa é a principal conclusão do estudo “Terras Raras no Brasil: Estado da Arte, Cenários e um Mapa do Caminho Estratégico para 2026–2040”, elaborado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), por encomenda do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O texto aponta que o país reúne recursos minerais suficientes para se tornar líder nesse mercado. O diferencial, porém, não estará na disponibilidade das reservas, vantagem que o Brasil já possui, mas na rapidez com que conseguir transformar esse potencial em capacidade industrial.
Segundo o estudo, o que diferencia os países que conseguiram desenvolver cadeias produtivas relevantes fora da China não é a disponibilidade de recursos minerais nem a capacidade científica, já consolidada nas instituições de pesquisa nacionais. O fator decisivo é a rapidez e a consistência das políticas públicas voltadas ao setor.
“Quatro elementos institucionais são insubstituíveis para que a janela seja capturada: marco regulatório estável de longo prazo, mecanismo soberano de proteção a preços, acordos bilaterais com transferência efetiva de tecnologia e uma entidade operacional de Estado com mandato contratual claro”, pontua o estudo.
Na avaliação dos pesquisadores, o desafio brasileiro está em transformar sua vantagem geológica em capacidade industrial. Embora o país disponha de recursos suficientes para participar de forma relevante do mercado global de terras raras, o maior potencial econômico está nas etapas de maior valor agregado, como o refino, a metalurgia e a fabricação de materiais avançados, e não apenas na extração mineral.
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Amazônia
O estudo também destaca a importância estratégica da Amazônia para o futuro da cadeia de terras raras. As ocorrências de argilas de adsorção iônica são apontadas como uma reserva de longo prazo, com potencial para sustentar a participação brasileira no mercado internacional além de 2040.
Durante a apresentação do levantamento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ressaltou que a próxima década será decisiva para definir se o Brasil permanecerá como exportador de matérias-primas ou se avançará para uma posição mais relevante na nova economia baseada em tecnologias de baixo carbono.
Além de diagnosticar o cenário nacional e internacional, o documento propõe um roteiro estratégico para orientar políticas públicas, investimentos, desenvolvimento tecnológico e ações coordenadas entre governo, academia e indústria ao longo dos próximos 15 anos.
A proposta é criar as condições necessárias para que os recursos minerais sejam convertidos em capacidade industrial, inovação e maior competitividade.
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/brasil-tem-prazo-para-liderar-corrida-global-das-terras-raras/











