A transição energética começa na mineração, mas não avança se não houver uma regulação forte e que seja abrangente não apenas nas atividades como também em seus produtos finais. Com este foco, nesta segunda-feira, 29, o Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), presidido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), publicou a primeira regulamentação nacional que estabelece índices mínimos de eficiência energética para lâmpadas e luminárias com tecnologia LED.
De acordo com o MME, a regulamentação pode gerar uma economia acumulada entre 283 e 432 TWh até 2040, que pode reduzir significativamente o consumo energético no país. Para se ter uma ideia, esse volume de energia seria suficiente para abastecer cerca de 14 milhões de residências no mesmo período.
Em um momento em que o país e o mundo inteiro discutem o uso mais racional e sustentável da energia, a definição de padrões mínimos de eficiência para lâmpadas e luminárias LED representa um avanço importante. Para consumidores e empresas, os ganhos se traduzem em menor consumo de eletricidade e redução dos custos com energia, ao mesmo tempo em que aliviam a necessidade de novos investimentos para expansão da infraestrutura do sistema elétrico nacional.
Impacto na mineração
Por trás dessa evolução regulatória, existe uma cadeia produtiva que será impactada e que muitas vezes é pouco percebida pelo consumidor: a mineração. A fabricação de lâmpadas LED depende de uma série de minerais essenciais para a produção de semicondutores, circuitos eletrônicos, dissipadores térmicos e componentes ópticos responsáveis pela eficiência luminosa e pela longa vida útil desses equipamentos.
Entre os insumos estratégicos utilizados nessa cadeia estão minerais críticos e metais como gálio, índio e germânio, empregados em semicondutores de alta performance, além de cobre e alumínio, fundamentais para a condução elétrica e a dissipação de calor. Em algumas aplicações específicas, elementos de terras raras também são utilizados para conferir características ópticas e melhorar o desempenho da iluminação. A disponibilidade desses minerais tornou-se uma questão estratégica para diversos países, diante da crescente demanda impulsionada pela eletrificação, pela digitalização e pela transição para uma economia de baixo carbono.
Nesse contexto, a mineração assume um papel que vai muito além do fornecimento de matéria-prima. A extração responsável, o beneficiamento mineral, o processamento e o desenvolvimento de tecnologias capazes de ampliar o aproveitamento dos recursos naturais são etapas fundamentais para garantir o abastecimento das cadeias industriais que sustentam a transição energética.
Assim, a eficiência das lâmpadas LED, que agora ganharam uma nova regulamentação, começa muito antes de chegarem às residências e às cidades: ela tem origem nas minas, onde são produzidos os minerais que tornam possível uma iluminação mais econômica, durável e sustentável.











