A Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas (SB64), encerrada na semana passada, na Alemanha, terminou com uma série de frustrações para quem acompanha a agenda climática internacional. Financiamento, adaptação, mitigação e cooperação entre países ficaram marcados por impasses que agora serão transferidos para a COP31, na Turquia.
Porém, o encontro mais importante que prepara o terreno para a COP, trouxe um aspecto interessante para a mineração: houve avanço concreto no desenvolvimento do chamado “Mapa do Caminho”. O termo ganhou destaque no cenário internacional após a Conferência do Clima de Belém (COP30), proposta pelo Brasil para eliminar gradualmente o uso de combustíveis fósseis.
Agora, em Bonn, o movimento foi liderado pelo presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, em um processo que reuniu contribuições de 115 países e 247 atores não estatais. Isto deve resultar em um documento estratégico para orientar governos, empresas e investidores nos próximos anos.
O próprio embaixador declarou, em entrevista na Alemanha, que considerou a adesão “acima da esperada para uma iniciativa de apenas seis meses, uma vez que a crise geopolítica internacional escancarou a vulnerabilidade dos combustíveis fósseis”.
Segundo ele, o Mapa do Caminho não será um mecanismo engessado em que todos os países deverão cumprir normas rígidas. A proposta é que ele sirva como uma ferramenta adaptável às circunstâncias de cada país, com foco nos obstáculos concretos à transição, como: dependência fiscal do petróleo, acesso a financiamento, desenvolvimento industrial e proteção de trabalhadores e comunidades.
Ponto positivo para a mineração
Para a mineração, esta evolução do “Mapa do Caminho” em Bonn reforça a agenda de substituição gradual de combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia, o que exigirá uma expansão sem precedentes da produção de minerais críticos, como cobre, lítio, níquel, grafite, manganês e terras raras. Como se sabe, esses insumos são indispensáveis para baterias, veículos elétricos, parques eólicos, sistemas de armazenamento de energia e redes de transmissão.
Ao mesmo tempo, o documento poderá influenciar critérios internacionais de financiamento, padrões de sustentabilidade e exigências de rastreabilidade das cadeias produtivas. Em outras palavras: não basta produzir os minerais necessários para a transição energética. A pressão global é para que essa produção aconteça com menos emissões, gestão responsável da água, proteção da biodiversidade e mais transparência socioambiental.
Mapa interativo do Rm mostra a geopolítica dos minerais críticos
Falta de consenso em Bonn
Enquanto o Brasil comemorava o avanço do “Mapa do Caminho”, o encontro na Alemanha, foi marcado pela falta de consenso entre países e um retrocesso histórico contra a ciência. “Uma verdadeira decepção para quem acompanha esta agenda”, como apontou Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima. Foram bloqueadas, por exemplo, negociações sobre financiamento climático para mitigação e adaptação. Tudo adiado para a COP31.
Em uma jogada quase de xadrez, o embaixador André Corrêa do Lago conseguiu correr por fora para seguir em frente com o documento brasileiro mesmo em meio a este fogo cruzado. “Este mapa do caminho será sobre a implementação de uma decisão já tomada, e ela pode vir de muitas formas: indivíduos, empresas, grupos de países”, disse ele em coletiva de imprensa em Bonn. “A grande vantagem da implementação é que temos muito mais liberdade para implementar do que para negociar. A negociação exige consenso; a implementação não exige consenso”, completou.
De todo modo, o que ficou pendente em Bonn seguirá para a COP31. Mas, para a mineração, a discussão já começa a mudar de patamar, ao ponto que a questão não é mais se haverá demanda por minerais da transição energética, mas sim quais países e empresas estarão preparados para fornecê-los dentro dos padrões ambientais e climáticos desenhados nas negociações internacionais.
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Fonte: https://radarmineracao.com.br/brasil-na-conferencia-de-bonn/











